Em março deste ano, o empresário mexicano Ricardo Salinas abriu as portas da primeira Elektra no Brasil. Porém, é nos fundos da loja que está o negócio que o bilionário acredita estar a mina de ouro do grupo Elektra no país: o banco Azteca.
É de olho na concessão de crédito para as classes C e D que o bilionário está abrindo unidades no país. "Indiscutivelmente, nosso negócio no Brasil é o crédito para pessoas de baixa renda", afirma Paulo Bezerra, executivo que saiu do banco BGN para presidir as operações brasileiras do Azteca.
Depois de atravessar geladeiras, fogões e televisores em cada uma das 19 unidades que a Elektra abriu em Pernambuco até agora é que os clientes encontram o banco. Até o próximo ano, Bezerra espera contar com cerca de 100 lojas-bancos espalhadas entre Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Para atrair a clientela menos endinheirada, o banco está lançando uma série de produtos formatados especificamente para ela. O chamariz inicial é uma conta corrente simplificada, batizada de Guardadito, que exige um depósito inicial de R$ 5. Saques, depósitos e transferências podem ser feitos com cartão eletrônico, aceito tanto no Azteca quanto nos caixas do Banco24Horas. "Com essa operação, o que ganhamos ao ter milhares de depósito que podem ser usados pelo banco nas operações de crédito", diz.
Neste mês, a instituição lançou um cartão de crédito que já parcela automaticamente as compras feitas em qualquer comércio - seja na Elektra ou na concorrência - em 78 vezes. A exigência é que o valor mínimo das parcelas seja de R$ 1. Um Certificado de Depósito Bancário com aplicação mínima de R$ 300, também está sendo oferecido.
Por enquanto, o banco tem 11 mil correntistas, mas espera encerrar 2009 com 150 mil. A propaganda até o momento tem sido feita em carros-de-som nas proximidades das lojas e em uma rádio do Recife. Agentes também visitam bairros populares em motos para apresentar os serviços do banco. Eles têm a função também de analisar a capacidade de crédito das pessoas. "No caso de quem não tem comprovante de renda, torna-se muito importante verificar pessoalmente qual deve ser a renda média", explica Bezerra.
Quem é aprovado tem de ir até o banco para abrir sua conta e pegar o crédito. Isso porque a movimentação do dinheiro dentro das lojas é feita por meio da identificação de uma foto feita na agência, além da impressão digital. O cliente não passa o cartão para nada. "Foi um meio que encontramos de reduzir as fraudes. Com a foto e a impressão digital, não há como falsificar nada", avalia o diretor-presidente.
Os pagamentos também são feitos de uma forma não usual no Brasil. São semanais. Quem vai à loja Elektra à procura de uma geladeira, por exemplo, encontra uma tabela com 78 prestações semanais, que só podem ser quitadas na loja. O objetivo é fazer os clientes entrarem o maior número de vezes no estabelecimento e, quem sabe comprar algo. As unidades abrem das 8h às 20h, um horário também não tradicional para o comércio de rua. Caso prefira-se pagar mensalmente, parcelas são antecipadas e os juros, descontados.
Para ampliar os negócios, o Azteca pretende fechar parcerias com pequenos comércios que possam atuar como correspondente bancário. Sem revelar detalhes, Bezerra diz que também está nos planos montar produtos que possam ser oferecidos por prestadores de serviços públicos, como concessionárias de luz, telefone e água. Aquisições de redes de varejo não estão descartadas.
No México, a receita dos braços financeiro e varejista são praticamente iguais. Nos nove primeiros meses de 2008, o banco faturou US$ 1,4 bilhão, enquanto as lojas tiveram receita de US$ 1,3 bilhão. O lucro total no período foi de US$ 241 milhões. Por aqui, os planos também são de que o banco Azteca se sobressaia.
Por enquanto, Bezerra considera que a atuação do grupo no Brasil foi apenas pré-operacional. "São poucas lojas e ainda estamos testando muita coisa. Nem tudo que funciona no México funciona aqui." A inadimplência, segundo ele, se equivale.
Fonte jornal Valor Econômico - Carolina Mandl
domingo, 21 de dezembro de 2008
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